quarta-feira, 30 de maio de 2007

O ABANDONO


Mísera dor és dor a do abandono!
Claridade imortal nas trevas d’alma
Pesa-me como a cruz a Cristo este vazio,
O vazio de sentir-me abandonada!

Pudesse eu copiar a ilusão de um feliz momento
De quando contemplo tua fronte amada e bela
Porém em meio ao deserto que hora resta,
Perdida no vazio do teu amor marcho em vão!

Dor, dor é sempre dor!
Mas dor maior ainda que a própria dor
E entregar-te meu amor
E sentir teu desprezo frio sobre o peito meu
Transformando-se o amor teu
Numa esfinge de pedra colossal!

Ó cruel dor a do abandono!
-Não basta cobrir com o véu do pecado
Teu amor ora tanto desejado?
-É, pois eu tua negra escuridão
Para em momentos ter-me em teus braços
E abandonar-me depois?

És abandono, como uma morte lenta e cruel
Afogueado maldito do desespero!

E, lembro-me com triste amargor,
Quando com inocente nobreza eu disse:
-serás meu para sempre meu bem amado
E eu serei para toda eternidade tua luz!

E naquele momento tão doce e terno
Em que te dei com sofreguidão meus sentimentos
O desprezastes, qual motivo não sei
E desde então o universo infinito passa
Passa como uma longa espada
A sangrar meu coração! (by: Nilma Franzoi)

SOU MULHER




Porque eu sou mulher
sou a mãe e sou a filha
sou a professora e eu sou a aluna
sou a médica e eu sou a enferma
sou a santa e eu sou a pecadora
sou a esposa e eu sou a amante
sou a paciente dona de casa
e eu sou a agressiva batalhadora.
sou a respeitada e sou a rejeitada
sou a que se cuida e sou a que se maltrata
sou tudo o que querem e sou a cobrada
sou a escandalosa e sou a magnífica
sou a amada e sou a desprezada
sou apenas uma mulher
sou apenas humana! (by: Nilma Franzoi)

CARINHO


Pode chover
o céu até pode cair
que nada vai tirar
o carinho que tenho por ti!!!! (by: Nilma Franzoi)

DOR PROFUNDA


É profunda e inerte a noite escura
A chuva intrépida se desfaz
Sanguínea sobra a terra
Qual califa venera seu deus!
Nos clarões dourados
Vejo a luz pela qual chorei um dia
Ao ver-te partir dos braços meus.

Foi angustiante o bálsamo que bebi nesta hora
Tal qual a rainha acorrentada
Que assiste seu guerreiro afiar a dura espada
Para sem piedade e por vingança
Cravar no peito seu.

Um relâmpago,
Um ronco de carro,
Uma lágrima,
Um adeus!

Fiquei aí junto a janela
Entre soluços velozes e o vento aflito
Tal qual Jerusalém que foi brutalmente
Dividida ao meio por uma muralha
Tal qual um pirata sedento de ouro
Que se perde com seu barco
Em alto mar.

Ficando aí entendi
Que tudo era em vão.
Tentei gritar
-Onde estas que não respondes?
-Em que limite desta distância tu te escondes?

Nem meu grito
Ecôo no universo
Pois não me respondestes!

Compreendi então que partistes
Vi meu ser tornar-se meu sudário
Tal qual o Egito
Que por castigo recebeu o sol da eternidade
E pelos deuses lhes foi proibido
Que suas virgens derramassem lagrimas sobre ele
Deu-lhes o deserto!

Meu grito desde então
Corre o infinito
Vejo que nada mais resta
E novamente meu grito de dor ecoa
Na vastidão do universo!
O sol se apaga,
A noite dorme,
As estrelas param
Tu te calas,
E os montes emudecem! (by: Nilma Franzoi)